Na
entrevista com o Monge no Budismo Zen, Jorge Mello, natural de
Itaqui/RS, podemos conhecer mais de perto o Budismo:
Para o Budismo, você só vai nascer biologicamente uma vez . Ou seja, você só vai ter um nascimento biológico (com gestação, parto, infância, adolescência, maturidade, velhice e morte).
O Budismo não aceita reencarnação, espíritos, Ser Superior, pois essas são ideias que não tem nada a ver com tradições autênticas da Antiguidade.
No budismo não existe um ente superior ou inferior ao qual as pessoas devem obediência. Há uma lei natural ou uma lei universal natural, única para tudo e todos.
A origem do sofrimento são desejo egoísta e os apegos de qualquer tipo. A extinção do sofrimento é obtida pela cessação dos desejos egoístas e dos apegos. Não há nada de errado em ter desejos. O erro é transformar o desapego, num novo apego, ficando preso a uma roda viva de desejo-satisfação-apego-desapego-satisfação-outro desejo. Se você tentar se livrar de um desejo, você é pego desejando e portanto sofrendo.
O ser humano é por natureza imperfeito. É um vir a ser. Somos seres que se constroem nas relações. Desse modo, não há o fim na nossa jornada. A jornada é o próprio momento presente. Isso foge do raciocínio de que as coisas têm uma causa e que dali surge um efeito. A visão budista concebe as coisas como um processo contínuo. Em que causas e condições geram efeitos que se tornam causas e condições de novos efeitos e assim por diante.
Quando nos referimos ao Nirvana, ausência de ventos, a gente tende a comparar naquela cultura que nós fomos criados. Se nós fomos criados numa cultura judaico-cristão, então tem o paraíso. O lugar que não é aqui. Mas se não existe aqui, provavelmente não vá existir em lugar nenhum.
Nós somos seres de relações. Nós nos construímos nas relações, nós nos nutrimos nas relações e nós geramos benefícios nas relações. A prova mais evidente disso é quando algo muito bom acontece. Esse algo muito bom quando acontece se torna muito melhor quando a gente partilha. Isso é a natureza essencial do ser humano. Quando partilhamos algo bom, o prazer aumenta.
Na pratica a gente sabe que uma alimentação vegetariana proporciona condições melhores para uma prática meditativa e para uma vida emocional mais estável. Mas isso não é uma regra. O vegetarianismo não torna ninguém melhor. Existem muitos vegetarianos que são insensíveis e muitos carnívoros que são compassivos. O importante é que cada um coma aquilo que precise e dignifique aquilo que está comendo. Que dignifique aquela vida que está nos dando o sustento e o sacrifício que foi feito, mesmo por uma cenoura, com ações virtuosas na vida.
Conforto é a parte da felicidade que nós podemos comprar. Mas, lamentavelmente, a partir de um determinado limite não tem mais como comprar, porque não tem mais como usufruir. Conforto se compra, felicidade se vivencia.
Felicidade é um estado subjacente que vai além da alegria e tristeza. É um estado da mente. Não tem como acumular felicidade. Sucesso é aquilo que eu obtenho e satisfaz os outros. Realização é aquilo que eu vivencio e que não tem nada a ver com a expectativa dos outros.
Se você é um budista, um muçulmano, um cristão, um judeu, um ateu, o ou que for, se preocupe mais em praticar o bem e não causar o mal, e ter uma mente pacífica. A forma é só uma forma. O mais importante é que sejamos seres humanos autênticos, inteiros e de relações positivos. O resto é apenas algo que facilita. São meios hábeis. O mais importante é que a vida tenha sentido.
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