quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Natal com ideologia

Penso no Natal como criança,
Que nos ensina a ter esperança.

Penso no Natal com alegria,
Apesar de sua fantasia.

Penso no Natal com poesia,
Apesar de sua alegoria.

Penso no Natal com harmonia,
Apesar de ser utopia.

Penso no Natal com simpatia,
Apesar de sua hipocrisia.

Penso no Natal com ideologia,
Apesar de sua essência fria.

Penso no Natal como gente,
Que já plantou uma semente.

Penso no Natal sem revelação,
Que acabem os servos da religião.

Penso no Natal com reflexão,
Que nasçam os ternos de coração.

Penso no Natal sem opressão,
Que haja amor no coração.

Agulha placebo

Acupuntura “falsa” supera medicina comum em teste: Um estudo que avaliou a eficácia da acupuntura para tratamento de dor nas costas concluiu que ela não consegue ser melhor do que uma forma falsa desse tratamento, na qual as pessoas são submetidas apenas a picadas superficiais em pontos aleatórios do corpo.

O trabalho, porém, trouxe uma revelação surpreendente: as duas formas de acupuntura, a verdadeira e a simulada, parecem ser mais eficazes do que o “atendimento usual” que pacientes de lombalgia costumam receber. Para avaliar a eficácia de um remédio que vem na forma de comprimidos, o que médicos fazem é comparar seu efeito ao de um placebo - uma pílula de farinha sem nenhuma substância relevante.

O problema da acupuntura é que é difícil alguém fingir que está aplicando agulhas num paciente sem que ele perceba que não está sendo espetado. Só nos últimos anos é que cientistas têm usado a acupuntura simulada - um tipo de “agulha placebo” - para isso. Para distanciar o tratamento ainda mais da acupuntura real, os cientistas plicaram o palito de dentes em pontos longe das regiões tidas como corretas por acupunturistas profissionais. Ninguém percebeu a diferença e, surpresa ou não, o palito de dentes teve a mesma eficácia da agulha verdadeira. Mas susto maior veio quando os dados sobre “atendimento usual” aos pacientes entraram na conta.

Após oito semanas, 60% dos pacientes sob acupuntura real ou simulada tiveram certa melhora, mas só 39% dos outros voluntários relataram progresso. Estes últimos, porém, não passaram por nenhum “atendimento relacionado ao estudo”, só pelo tratamento que o médico de cada um indicava ("em geral remédios, cuidados primários e idas à fisioterapia"). Se, por um lado, a acupuntura real não se saiu melhor do que palitos de dentes, por outro, o teste sugere que autoridades de saúde pública deem um passo atrás para saber o que o “atendimento usual” tem reservado a quem tem lombalgia.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u564282.shtml

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Uma luz no natal

Dizem que no Natal,
Há paz e felicidade,
Então porquê a guerra?
Porquê tanta maldade?

Dizem que no Natal,
Há bastante altruísmo,
Mas é somente máscara,
Camuflando o egoísmo.

Dizem que no Natal,
Exaltamos quem nos criou,
Mas não há explicação,
Para a fera que gerou.

Dizem que no Natal,
Enaltecemos as virtudes,
Depois vem o ano-novo,
E revelamos as vicissitudes.

Dizem que isso é chato,
Dizem que não seduz,
Daí despertar o facho,
Para enxergar a luz.

João Carlos Coutinho

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A natureza não é cruel

Às vezes dizemos que tudo que vem da natureza é lindo e bom. Que existe um justo equilíbrio. Mas, assistindo aos ataques de animais selvagens, verificamos que esse equilíbrio só ocorre em cima de quem é mais fraco ou doente. É de dilacerar o coração ver imagens de animais lutando pra sobreviver, sendo literalmente comidos e agonizando. Muito sofrimento em cima de quem deveria ser amparado. Mas sempre funcionou assim, mesmo por que os animais precisam comer. No mundo animal o mandamento “NÃO MATARÁS” não funciona!

No livro “Os Dentes da Galinha”, STEPHEN JAY GOULD fala que o maior desafio dos que queriam provar a bondade divina de deus na natureza não eram os carnívoros e sim algumas espécies de marimbondos. Alguns marimbondos, através de um longo ovopositor, injetam ovos dentro de outros insetos (larvas, aranhas, lagartas) e juntamente com o ovo injetam uma droga paralisante. Quando o ovo eclode a larva do marimbondo vai devorando seu hospedeiro de dentro para fora (fez analogia ao filme Aliem). O autor conta que a larva chega ao ponto de evitar os órgãos vitais para manter seu hospedeiro vivo e fresco o maior tempo possível. Ao final, apenas existe uma cápsula vazia onde antes era um animal. Ele também relata que algumas espécies depositam não apenas um ovo mais milhares. Em uma passagem relata sobre uma lagarta se contorcendo com cerca de 3.000 larvas devorando-a por dentro.

Parece que realmente deus foi muito inspirado e benevolente quando criou tais seres. Entretanto, reconhece-se que é apenas uma visão deturpada da natureza, feita com valores humanos, motivada em um código ético e moral de um deus antropomórfico, criado pelo homem, justo e bondoso. É o homem olhando para a natureza e querendo interpretá-la como nela existissem todas as características que ele possui (amor, ética, compaixão, caridade, ódio).

A natureza pode realmente ser cruel, mas essa crueldade não é a maldade que nós seres humanos (almados) às vezes praticamos. Como disse o Gengis Khan, essa é a lei, os seres vivos só conseguem obter a energia para sobreviver se alimentando de outros.

É certo que pode ser comovente ver um animal mais forte matar e devorar um mais fraco, mas eles não fazem isso porque querem, isso é instinto, não maldade.

Retirado do Livro “Os Dentes da Galinha” - Stephen Jay Gould

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Provas do além

JUSTIÇA VALIDA CARTA PSICOGRAFADA: A carta psicografada usada na defesa de uma mulher acusada de mandar matar um tabelião em 2003 foi validada pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) em 11/11/2009. Para o desembargador Marco Antonio Ribeiro de Oliveira, que presidiu a sessão, havia provas para a absolvição e condenação, cabendo aos jurados decidirem. Na mesma linha, o desembargador José Antonio Hirt Preiss ressaltou que o júri entendeu não haver provas para a condenação. Como os jurados não fundamentam seus votos, é improvável que se descubra o real peso da carta psicografada.

ESTADO LAICO: Dentro do universo jurídico, não há nada de errado na atitude da Justiça. Nada impede que cartas psicografadas sejam usadas como provas judiciais, assim como não há nenhum problema de o réu jurar pela Bíblia que não cometeu o crime ou ainda justificar seu ato como uma obrigação de fé. Para os especialistas, lançar mão de argumentos religiosos não viola a característica laica do Estado Brasileiro. Apenas confirma. “Dizer que o Estado é laico significa dizer que ele não tem religião oficial, e não que ele não aceita a religião”, explica Maurício Zanóide, advogado criminalista e membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim). No entanto, considera que a carta não pode ser usada como única prova já que depende exclusivamente da fé. Afinal, não há argumentos lógicos para a prova do além. “Não há racionalidade discursiva.”

DEPOIMENTO PÓSTUMO: Roberto Serra da Silva Maia, advogado e assessor da 9ª Procuradoria de Justiça do estado de Goiás, escreveu, em abril de 2006, um estudo sobre a psicografia como meio de prova. Ao se debruçar sobre o tema, Maia concluiu que a mensagem psicografada não pode ser admitida como prova judicial por afrontar o princípio da igualdade, liberdade de culto e o princípio do contraditório, pois coloca a parte que não apresentou a carta em posição desigual. Para ele, fica difícil rebater a carta já que é algo que depende de fé. Zanóide afirma que “para qualquer documento ser considerado como prova, ele tem de ser, pelo menos, autêntico”. O advogado explica a diferença entre autenticidade e veracidade. A carta é autêntica se realmente tiver sido escrita pelo médium que a assina, por exemplo. Mas a sua veracidade não pode ser provada. Depende da fé de cada um.

VERACIDADE DA CARTA: A veracidade depende, por exemplo, da credibilidade do médium. Credibilidade da qual Chico Xavier desfrutava mesmo entre aqueles que nem no espiritismo acreditavam. Quando o médium não tem o quilate de Xavier, o exame grafotécnico é a ferramenta buscada para os espíritas. Por ela, acredita-se provar que a letra de quem assina a carta é mesmo do espírito do morto. Para os espíritas, essa prova é necessária para que a carta seja verídica.

MORTO COMO TESTEMUNHA: Ainda que a Justiça esteja aceitando e reconhecendo a validade de cartas psicografadas, os temerosos do sobrenatural podem ficar tranqüilos. Por enquanto, a possibilidade de se depararem com o depoimento de um morto durante um julgamento é nula. Ainda que aceite a prova do além, a Justiça não reconhece o morto como testemunha. “É desconhecer o Direito afirmar que o conteúdo de uma mensagem psicográfica caiba no conceito de prova testemunhal”, diz o juiz Luiz Guilherme. “Morto não é testemunha”, reforça o advogado Podval. A figura do médium encarnado na cadeira dos réus não é aceita na Justiça.

MÉDIUM COMO TESTEMUNHA: Seria o médium, então, uma testemunha? Sabe de fatos e deve depor sobre os mesmos em juízo, sob o compromisso de dizer a verdade, respondendo por falso testemunho, conforme o caso. Outra situação absurda para os padrões processuais, pois o médium nada viu diretamente e não pode ser questionado sobre pretensa mensagem (equivalente a ouvir dizer), proveniente de um morto. Introduzida a comunicação enviada pelo morto, por intermédio do médium, a parte contrária teria o direito de levantar uma questão prejudicial heterogênea: para que a prova seja admitida, convém evidenciar, antes, a existência de vida após a morte.

VIDA APÓS A MORTE: Há vida após a morte? Com qual grau de comunicação com os vivos? Depende-se de fé para essa resposta e o Estado prometeu abster-se de invadir a seara da individualidade humana para que todos acreditassem ou deixassem de acreditar na espiritualidade e em todos os dogmas postos pelas variadas religiões.

CONCLUSÃO: O perigo na utilização da psicografia no processo penal é imenso. Fere-se preceito constitucional de proteção à crença de cada brasileiro; lesa-se o princípio do contraditório; coloca-se em risco a credibilidade das provas produzidas; invade-se a seara da ilicitude das provas; pode-se, inclusive, romper o princípio da ampla defesa. Garantir-se legitimidade à psicografia, como meio de prova, considerando-a lícita, é medida arriscada e temerária. Hoje ela é usada para absolver (quando não há provas para condenar); amanhã, poderá ser usada para condenar. E o processo penal deslocar-se-ia, com isso, do mundo da ciência para o cenário da irracionalidade, da fé e da pura emoção.

Fontes:
Revista Consultor Jurídico, 14/07/2007.
Jornal Carta Forense, 04/05/2009.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um prefeito visionário

Quem anda pelas ruas do Rio Grande e observa com atenção percebe que a cidade não tem para onde prosperar. Percebe-se um crescimento desordenado. Um trânsito caótico, com soluções provisórias. Falta de saneamento básico. Drogas e violência urbana.

Não há investimento no setor imobiliário. Os imóveis, no Centro, são caros e estão nas mãos de poucos, que não têm interesse em novas construções. Não querem concorrência. Vivem da especulação imobiliária. Assim, os imóveis tornam-se caros para comprar e para alugar.

O trânsito, com o crescimento descomunal de automóveis e motos, com as ruas estreitas e irregulares, estará daqui a alguns anos totalmente impraticável.

Como solução definitiva, de longo prazo, a exemplo do que outras cidades fizeram, vislumbro a construção de uma nova Rio Grande, ou seja, um novo centro da cidade, arquitetado com projetos urbanos que levem em consideração o futuro crescimento da região. Um novo centro da cidade, com menos poluição, com projetos socioeconômicos, urbanísticos, culturais e ambientais, que tragam mobilidade urbana e conforto para a população.

Um local ideal seria entre a Vila da Quinta e Pelotas (próximo ao Povo Novo), com aquisição de alguns hectares de terra (enquanto têm), adquirida por compra ou desapropriação, com recursos a perder de vista, do PAC, de bancos (sociais) nacionais ou internacionais. A curto prazo, com a construção de estabelecimentos públicos, shoppings, supermercados, escolas, bancos, teatros, cinemas, igrejas, praças e hospitais, saneamento, moradia barata, policiamento nas ruas, trânsito ordenado, ruas largas e acesso à educação e à saúde, a urbanização seria imediata.

Para isso, precisamos de um prefeito visionário e de “forças vivas” que pensem no dia de amanhã. Que coloquem o interesse coletivo acima do interesse político, individual. Sob esse ponto de vista, tudo que se fizer sem levar em consideração essas premissas, com soluções imediatas e paliativas, na base do “quebra galho”, estará fadado ao insucesso.

João Carlos Coutinho

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Livre para viver

“Quando me tornei convencido de que o Universo é natural, de que todos os deuses e fantasmas eram mitos, entraram na minha mente, na minha alma, em cada gota do meu sangue, o senso, o sentimento e a alegria da liberdade. Os muros da prisão racharam e caíram. As masmorras foram invadidas pela luz, e todas as travas, as algemas, as barreiras, viraram pó. Eu não era mais um servo ou um escravo. Não havia mais para mim nenhum mestre em todo este gigantesco mundo – nem mesmo no espaço infinito. Eu estava livre. Livre para pensar, para expressar meus pensamentos. Livre para viver meu próprio ideal. Livre para rejeitar toda e qualquer crença cruel e ignorante. Livre para rejeitar todos os “livros sagrados” que selvagens ignorantes produziram e todas as bárbaras lendas do passado. Livre de papas e padres. Livre do medo do sofrimento eterno. Livre dos monstros alados da noite. Livre de diabos, fantasmas e deuses. Pela primeira vez eu era livre. Não haviam lugares proibidos em qualquer recanto da mente. Não havia ar ou espaço em que a imaginação não pudesse atingir com suas asas coloridas. Nenhuma algema me prendendo. Nenhum chicote nas minhas costas. Nenhum fogo na minha carne. Nenhum mestre me encarando nem me ameaçando. Nada mais de seguir os passos dos outros. Nenhuma necessidade de me curvar, ajoelhar ou rastejar, ou expressar palavras mentirosas. Eu estava livre. Coloquei-me de pé, e, alegre e sem medo, encarei o mundo. Então, meu coração foi preenchido de gratidão, com a paixão por todos aqueles heróis, os pensadores, que deram suas vidas pela liberdade de cérebros, pela liberdade de trabalho e pensamento, por aqueles que tombaram nos campos cruéis da guerra, por aqueles que morreram nas masmorras, acorrentados, por aqueles que subiram orgulhosamente os degraus do patíbulo, aqueles cujos ossos foram esmagados, cujas carnes foram feridas e rasgadas, por aqueles consumidos pelo fogo, por todos os bravos, sábios e bons de todos os países, cujo saber e ações resultaram em liberdade para os filhos dos homens. Quando me dispus a segurar a tocha que eles acenderam e a ergui no alto, aquela chama pôde ainda iluminar a escuridão. ”

Robert Green Ingersoll (1833 - 1899), Livre-pensador Norte‑Americano