Hoje
existem dados suficientes de que não há um Ser “pessoal”
responsável pela criação do universo e que o que existe e é
conhecível está limitado a fenômenos empíricos. Essa perspectiva,
tanto a de Einstein, a de Aristóteles, quanto a de Spinoza, oferece
uma reflexão profunda sobre a natureza da realidade, separando-a de
qualquer conotação emocional ou pessoal. O que existe é um
conjunto de leis que governam o universo, operando de maneira fria e
implacável, indiferente a qualquer valor humano.
EINSTEIN
E A LEI NEUTRA: O cientista Albert Einstein, ao se referir a Deus, o
definia como a Lei. Deus, dizia Einstein, é a Lei. A Lei funciona
automaticamente; quem se opõe à Lei, se maldiz, se aniquila a si
mesmo. Isto nada tem a ver com um Deus pessoal, com um Deus
emocional, que se possa irritar. Na Lei não há amor nem ódio; a
Lei é essencialmente neutra. A Lei, é bom insistir, é totalmente
indiferente à dor, ao sofrimento, à maldade, à bondade, à beleza,
à feiura ou a qualquer outra coisa que possamos valorizar. Não tem
propósito ou finalidade. Não atua com objetivos. Não “pretende”
chegar a nada em particular; não planeja, não olha para a frente
não prevê. É indiferente.
ARISTÓTELES
E O PRIMEIRO MOTOR IMÓVEL: Essa visão de um ser supremo impessoal e
indiferente também foi defendida pelo filósofo grego Aristóteles.
Para ele, o conceito de Deus, que ele chamava de “Primeiro Motor
Imóvel”, não se importava com a criação. Para Aristóteles,
Deus é impessoal e indiferente em relação à criação. É
impensável que Deus (o Absoluto) ame alguma coisa (algo que não
seja ele mesmo), dado que o amor é sempre “tendência a possuir
algo de que se é privado” e Deus não está privado de nada.
O
DEUS DE SPINOZA: UMA FILOSOFIA DA NATUREZA: Outra perspectiva
relevante sobre um Deus impessoal vem do filósofo holandês Baruch
Spinoza. Para ele, Deus não é um ser transcendente, que existe fora
do mundo, mas sim a própria Natureza. Spinoza defendia que Deus é a
substância única, a totalidade de tudo o que existe. Ele não
possui emoções, não julga e nem intervém nos assuntos humanos. O
Deus de Spinoza é a ordem racional e necessária do universo, um
sistema de leis imutáveis. Essa concepção, conhecida como
panteísmo, sugere que a realidade e a divindade são a mesma coisa.
Compreender Deus, para Spinoza, é compreender as leis que governam o
cosmos. Ele não é um ser a ser adorado ou temido, mas sim a
essência da própria existência, a causa de todas as coisas.
JC
COUTINHO
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