29 de agosto de 2025

A NATUREZA DA LEI

Hoje existem dados suficientes de que não há um Ser “pessoal” responsável pela criação do universo e que o que existe e é conhecível está limitado a fenômenos empíricos. Essa perspectiva, tanto a de Einstein, a de Aristóteles, quanto a de Spinoza, oferece uma reflexão profunda sobre a natureza da realidade, separando-a de qualquer conotação emocional ou pessoal. O que existe é um conjunto de leis que governam o universo, operando de maneira fria e implacável, indiferente a qualquer valor humano.

EINSTEIN E A LEI NEUTRA: O cientista Albert Einstein, ao se referir a Deus, o definia como a Lei. Deus, dizia Einstein, é a Lei. A Lei funciona automaticamente; quem se opõe à Lei, se maldiz, se aniquila a si mesmo. Isto nada tem a ver com um Deus pessoal, com um Deus emocional, que se possa irritar. Na Lei não há amor nem ódio; a Lei é essencialmente neutra. A Lei, é bom insistir, é totalmente indiferente à dor, ao sofrimento, à maldade, à bondade, à beleza, à feiura ou a qualquer outra coisa que possamos valorizar. Não tem propósito ou finalidade. Não atua com objetivos. Não “pretende” chegar a nada em particular; não planeja, não olha para a frente não prevê. É indiferente.

ARISTÓTELES E O PRIMEIRO MOTOR IMÓVEL: Essa visão de um ser supremo impessoal e indiferente também foi defendida pelo filósofo grego Aristóteles. Para ele, o conceito de Deus, que ele chamava de “Primeiro Motor Imóvel”, não se importava com a criação. Para Aristóteles, Deus é impessoal e indiferente em relação à criação. É impensável que Deus (o Absoluto) ame alguma coisa (algo que não seja ele mesmo), dado que o amor é sempre “tendência a possuir algo de que se é privado” e Deus não está privado de nada.

O DEUS DE SPINOZA: UMA FILOSOFIA DA NATUREZA: Outra perspectiva relevante sobre um Deus impessoal vem do filósofo holandês Baruch Spinoza. Para ele, Deus não é um ser transcendente, que existe fora do mundo, mas sim a própria Natureza. Spinoza defendia que Deus é a substância única, a totalidade de tudo o que existe. Ele não possui emoções, não julga e nem intervém nos assuntos humanos. O Deus de Spinoza é a ordem racional e necessária do universo, um sistema de leis imutáveis. Essa concepção, conhecida como panteísmo, sugere que a realidade e a divindade são a mesma coisa. Compreender Deus, para Spinoza, é compreender as leis que governam o cosmos. Ele não é um ser a ser adorado ou temido, mas sim a essência da própria existência, a causa de todas as coisas.

JC COUTINHO 

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