11 de junho de 2026
EXTRATERRESTRES
O TRIUNFO DA MEDIOCRIDADE
26 de maio de 2026
O LIVRE-ARBÍTRIO
E se eu disser que não temos livre-arbítrio, que ele é uma ilusão e que somos regidos por um sistema determinístico? Todos nós somos máquinas e a automação é natural. A filosofia por trás dessa ideia é que, no futuro, uma máquina será capaz de nos substituir de verdade.
O neurobiólogo, primatólogo e professor da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky, é um dos maiores defensores contemporâneos da ideia de que o livre-arbítrio não existe.
O neurocientista e filósofo Sam Harris, autor do livro Livre-arbítrio (Free Will), utiliza experimentos de neuroimagem (como os pioneiros estudos de Benjamin Libet) para demonstrar que, antes mesmo de termos consciência de que vamos falar uma palavra ou tomar uma decisão, os processos neuroquímicos no nosso cérebro já a planejaram e determinaram. Ele defende que a nossa consciência é apenas uma espectadora — e não a autora — das escolhas do cérebro.
Por fim, o visionário da inteligência artificial (IA) e diretor de engenharia do Google, Ray Kurzweil, aposta que, em 2029, a inteligência artificial alcançará a inteligência geral humana (AGI), passando a aprender e evoluir sozinha, sem precisar que nenhum humano programe cada passo. Segundo ele, em 2045, chegaremos à singularidade tecnológica.
TRABALHO NUM MUNDO DISTÓPICO
A BANALIZAÇÃO DO MAL
A sabedoria popular dos antigos — “quanto mais se fala, mais acontece” — e as reflexões de C. S. Lewis no livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz anteciparam algo que a psicologia e a sociologia modernas passaram a estudar profundamente: a superexposição midiática pode banalizar o horror em vez de combatê-lo.
O bombardeio contínuo e o hiperfoco das redes sociais sobre violência, preconceito e tragédias produzem dois efeitos principais comprovados pela ciência: o fenômeno da dessensibilização sistemática (ou “fadiga da compaixão”), que anestesia a sociedade, e o contágio social (popularmente conhecido como “efeito copycat”), em que indivíduos instáveis imitam comportamentos amplamente divulgados.
Filósofos como Jean Baudrillard analisaram como a repetição excessiva esvazia a indignação, transformando a tragédia em um simulacro e em espetáculo. Lewis, de forma literária, já sugeria que o mal prefere a abstração e o discurso incessante à verdadeira transformação moral.
Assim, quando a sociedade troca o dever moral concreto por debates incessantes, hashtags e indignações passageiras, surgem três consequências: apatia nos bons, que se habituam ao horror; validação nos maus, que encontram um palco para o crime; e uma profunda hipocrisia cultural. Essa dinâmica substitui as ações de impacto real e local por causas abstratas e distantes.
Se o coração de um indivíduo continua cheio de egoísmo, vaidade e violência latente, nenhuma campanha de conscientização pública ou repressão da linguagem vai mudá-lo. Ele apenas aprenderá as palavras certas para camuflar sua podridão e, na primeira oportunidade em que o tecido social fraquejar ou em que estiver protegido pelo anonimato, o monstro interior virá à tona.
Os antigos, portanto, tinham razão: a moralidade não é aparência pública, mas uma raiz cultivada silenciosamente no íntimo do ser humano.
A ARQUITETURA DO VAZIO
O autor ilustra essa anestesia mostrando que o objetivo é fazer o homem ler livros ruins, ouvir músicas vazias ou simplesmente jogar o tempo fora olhando para o teto. De forma irônica, o diabo afirma que o ideal é fazê-lo gastar horas em algo que ele nem gosta, apenas para preencher o vazio. Os demônios preferem uma noite inteira perdida em um jogo chato ou em uma revista fútil a um bom livro.
O objetivo da estratégia infernal é criar o “Hábito do nada”, mantendo o indivíduo anestesiado no fluxo da boiada até que seja tarde demais. Como escreve Cofuso: “O assassinato não será melhor que o carteado se este der conta do recado.” Ele ainda cita o caso de um homem que chegou ao inferno horrorizado ao perceber que passou a vida inteira sem fazer o que devia e sem desfrutar do que realmente gostava.
No cenário atual, onde governos e o sistema cultural utilizam distrações massivas e pautas hiperfragmentadas –, a conexão com a Carta XII é cirúrgica. É a manifestação do Pão e Circo Digital. Hoje, esse conceito vai além de estádios de futebol ou do uso eleitoreiro de auxílios governamentais; ele se estende à anestesia digital. O algoritmo das redes sociais, o entretenimento de baixa qualidade (como conteúdos eróticos e rasos que sufocam a arte complexa) e os modismos por pertencimento tribal (tatuagens, cortes de cabelo, piercings ou vestimentas específicas) funcionam como esse “nada”, afastando o homem da própria transcendência.
Essa dinâmica também opera na polarização política. As pautas fragmentadas conectam-se a outro princípio de Lewis: a substituição do real pelo abstrato. Quando a cultura força antagonismos ferrenhos, cria uma cortina de fumaça. O demônio orienta que o ser humano deve direcionar sua malícia para as pessoas reais ao seu redor (família e vizinhos) e sua "benevolência" para causas abstratas (o "planeta" ou a "humanidade").
Grandes pautas globais, instrumentalizadas ideologicamente, geram uma falsa sensação de virtude: o indivíduo se sente “salvador do mundo” por uma hashtag, mas continua intolerante e espiritualmente vazio no dia a dia.
A decadência cultural, a perda do apreço pela alta cultura e a dependência do assistencialismo estatal ocorrem de forma gradual. O debate público torna-se raso e a população aceita a mediocridade dócil e confortavelmente.
28 de abril de 2026
CICLO DA QUIMERA E DO LEÃO
Ambas as profecias referem-se aos clãs ou dinastias que dominam nossa cidade há muito tempo. Fiquei estupefato com a previsão. Será que vamos passar por mais estes invernos de sombra e tormenta? De qualquer maneira, será o fim das dinastias. Aos que governaram até aqui, parabéns pela “missão” cumprida.
A ASCENSÃO DO ASTRO ESCARLATE: Após a grande enchente que silenciou as praças, uma Quimera Estrelada emergirá triunfante sobre o condado das águas, ao sul do hemisfério sul. Espalhando promessas de felicidade e fartura, ela caminhará sobre um solo fustigado, prometendo o mel e o trigo que a traça já consumiu. Trará consigo um clã de Netunos vermelhos que tentarão estabelecer um grande império, erguendo estandartes sobre ruínas ainda fumegantes.
O REINADO DA SEREIA: A Sereia será reconhecida por fomentar a derrocada da cidade e o esvaziamento dos cofres. Por quatro invernos de névoa, governará um povo de espírito assombrado e mãos vazias, com uma mão no cetro e um pé na estrela, como quem dança entre o poder e o abismo.
O EMBATE NA ARENA DE OURO: Contudo, das fileiras do povo surgirá o Leão Jovem, portando no peito a insígnia da labuta sobre o campo de batalha, ele sobrepujará a Quimera em um duelo memorável. Na arena de ouro, ao derrotar a arrogância e a cobiça, o povo se libertará, e os ecos do rugido hão de ressoar além das muralhas do tempo.
9 de abril de 2026
UM GIGANTE ADORMECIDO
2 de abril de 2026
ALÉM DA PARTIDA
Se o tempo nos separar
E a saudade trouxer dor,
Das falas que faziam sonhar,
Dos risos do puro amor.
Se o vento parecer roubar
Amores levados pelo mar,
Ele traz o ensino de amar,
Fazendo-nos acreditar.
Ó saudade,
Lembrança suave e distante,
Como uma canção esquecida,
Que acalenta nossa vida,
Guiando-nos na partida.
De difícil tradução,
Causa-nos forte emoção,
Pela distância e pelo desejo
De quem agora não vejo.
É a sensação que sobrou
Daquilo que foi eleito,
Do que deveria ser dito,
Do que precisava ser feito.
É uma dádiva
De quem com carinho sente,
Com a espera sempre presente
De um encontro transcendente
Com aquele que seguiu em frente.
27 de março de 2026
O ELIXIR DE PEDRA E LUZ
Não gostaria de viver num mundo sem catedrais. Preciso da sua beleza e grandiosidade em contraposição às cores sujas do embate diário. Preciso da força da sua poesia, em contraste com a decadência da língua e com a tirania dos slogans inúteis. Não gostaria de viver num mundo sem catedrais... Necessito do brilho dos seus vitrais, da sua frescura serena e do seu imperioso silêncio. Preciso da santidade das palavras e da estatura da grande poesia.
As catedrais restabelecem o vínculo sagrado com a totalidade do universo e promovem o retorno a uma síntese primeira, anterior à cisão da autoconsciência e à dor das formas repartidas. A dádiva, muitas vezes, reside apenas em lembrar que esse espaço-tempo do sagrado existe; ou seja, que ele está lá, ao nosso alcance, como um elixir que nos permite escapar do circuito profano das miudezas do mundo — uma realidade em que vozes e buzinas se confundem — para ingressar por inteiro no universo paralelo da espiritualidade atemporal.
Nelas, pode-se simplesmente abstrair-se de tudo o que existe e mergulhar no universo da completa transcendência. A alma, embalada pela autoconsciência e desligada do corpo e dos demais sentidos, refaz o mundo à sua maneira — é criadora e criação de si mesma. Para onde vai o tempo enquanto estamos mergulhados em estado de absorta concentração?
JC COUTINHO








