26 de maio de 2026

O LIVRE-ARBÍTRIO

E se eu disser que não temos livre-arbítrio, que ele é uma ilusão e que somos regidos por um sistema determinístico? Todos nós somos máquinas e a automação é natural. A filosofia por trás dessa ideia é que, no futuro, uma máquina será capaz de nos substituir de verdade.

E mais do que isso: se somos determinísticos, ou seja, se enquanto estou aqui pensando com você neste instante, tudo já estava pré-planejado no meu cérebro antes de eu entrar aqui, sem que eu tenha consciência disso -, eu não tenho nenhuma liberdade para decidir a sequência de pensamentos que estou formulando agora.

O neurobiólogo, primatólogo e professor da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky, é um dos maiores defensores contemporâneos da ideia de que o livre-arbítrio não existe. 

Sapolsky argumenta detalhadamente que cada uma de nossas decisões é o resultado de uma cadeia determinística: neurônios disparando, estimulados pela química cerebral do momento anterior, que por sua vez foi moldada pelos hormônios daquela manhã, pela nossa infância, cultura e, em última instância, pela nossa carga genética e evolução. Para ele, somos essencialmente “máquinas biológicas”.

O neurocientista e filósofo Sam Harris, autor do livro Livre-arbítrio (Free Will), utiliza experimentos de neuroimagem (como os pioneiros estudos de Benjamin Libet) para demonstrar que, antes mesmo de termos consciência de que vamos falar uma palavra ou tomar uma decisão, os processos neuroquímicos no nosso cérebro já a planejaram e determinaram. Ele defende que a nossa consciência é apenas uma espectadora — e não a autora — das escolhas do cérebro.

Por fim, o visionário da inteligência artificial (IA) e diretor de engenharia do Google, Ray Kurzweil, aposta que, em 2029, a inteligência artificial alcançará a inteligência geral humana (AGI), passando a aprender e evoluir sozinha, sem precisar que nenhum humano programe cada passo. Segundo ele, em 2045, chegaremos à singularidade tecnológica.

JC COUTINHO

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