2 de setembro de 2026

O SILÊNCIO DAS ARMAS


Desde o barro, no primeiro estalo,
O punho antecedeu a própria voz.
A guerra não é só o trote do cavalo,
É o silêncio que aparta a todos nós.

Ecoa no peito a pulsão de morte,
O Thanatos que Freud descreveu;
Não há contrato que lhe mude a sorte,
Pois na psique o monstro se ergueu.

Na vontade de poder ela se refaz,
Como outrora Nietzsche concebeu;
Busca o conflito ante a falsa paz,
Chama antiga que jamais cedeu.

Surge no solo e no mar a conquistar,
E mora na mesa onde o afeto esfria;
No império cego do dominar,
Onde a ironia se faz tirania.

Lutamos no altar, no quarto, na rua,
Por um palmo de insana razão,
Enquanto a paz, esquelética e nua,
Espera o ferro no coração.

Se o embate se faz inevitável,
No atrito que a carne nos traz,
É o gesto humano, inabalável,
Que esculpe a face da nossa paz.

Para extinguir o ego que inflama,
Não o deixemos arder, tingindo o chão;
Mas na alma que o afeto reclama,
Tornemos a amizade nossa missão.

JC COUTINHO

2º LUGAR NA 51ª FEIRA DO LIVRO DA FURG 2026
A POESIA ACONTECE NA FEIRA (TEMA LIVRE)

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