O punho
antecedeu a própria voz.
A guerra não
é só o trote do cavalo,
É o
silêncio que aparta a todos nós.
Ecoa no
peito a pulsão de morte,
O Thanatos
que Freud descreveu;
Não há
contrato que lhe mude a sorte,
Pois na
psique o monstro se ergueu.
Na vontade
de poder ela se refaz,
Como outrora
Nietzsche concebeu;
Busca o
conflito ante a falsa paz,
Chama antiga
que jamais cedeu.
Surge no
solo e no mar a conquistar,
E mora na
mesa onde o afeto esfria;
No império
cego do dominar,
Onde a
ironia se faz tirania.
Lutamos no
altar, no quarto, na rua,
Por um palmo
de insana razão,
Enquanto a
paz, esquelética e nua,
Espera o
ferro no coração.
Se o embate
se faz inevitável,
No atrito
que a carne nos traz,
É o gesto
humano, inabalável,
Que esculpe
a face da nossa paz.
Para
extinguir o ego que inflama,
Não o
deixemos arder, tingindo o chão;
Mas na alma
que o afeto reclama,
Tornemos a
amizade nossa missão.
JC
COUTINHO
2º LUGAR NA 51ª FEIRA DO
LIVRO DA FURG 2026
A POESIA ACONTECE NA FEIRA (TEMA LIVRE)
A POESIA ACONTECE NA FEIRA (TEMA LIVRE)
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