28 de outubro de 2011

RESSENTIMENTO

Sentimento de indignação,
que nos deixa sem ação,
para promover o perdão,
daquele que é nosso irmão.

É uma zanga sem sentido,
que nos deixa aborrecido,
por imaginar um inimigo,
sem olhar o nosso umbigo.

Ele surge intrometido,
e não sendo suprimido,
com a falta do perdão,
só faz mal ao coração.

Existência em desalento,
indiferença e lamento,
a vida sem entendimento.

Se não for bem resolvido,
causa uma dor muito doída,
que na hora da partida,
já não pode ser banida.

18 de outubro de 2011

REPÚBLICA DE laBRANCOC

Recebi esse notes há anos atrás e não sei a procedência. Já o publiquei anteriormente. Pesquisei na internet e não encontrei essa tal profecia. Talvez não tenha sido divulgada por causa de direitos autorais. Acho que se refere a Rio Grande e aos Brancos (Prefeitos). Fiquei abismado com essa profecia. Será que vamos passar por esses invernos todos? De qualquer maneira, os Brancos estão de parabéns..


Data: Wed, 6 Oct 2004 17:22:01 -0300
De: labrancoc
Responder para: labrancoc
Assunto: En:LaBrancoc
Para: coutinho
Data: Wed, 6 Oct 2004 17:03:52 -0300
Assunto: LaBrancoc

-- Mensagem original –


REPASSANDO...

Michel de Notredame (1503-1566) nasceu em Saint Rémy de Provence, na França, e é considerado um dos maiores profetas de todos os tempos. Conhecido pelo nome latino, Nostradamus, ainda garoto, aprendeu grego, latim e hebraico com seu avô materno. Quando estava em Marsellha, em 1534, conheceu a jovem Anne du LaBrancoc, uma jovem muito bonita, de linhagem nobre (LaBrancocs), por quem se apaixonou e entregou um manuscrito, enigmático, que foi encontrado nos subterrâneos do World Trade Center, numa caixa-preta. O manuscrito, em francês, diz:

et proche du troisième millénaire un monstre blanc émergera triomphant sur un comté au sud d'Hémisphère Du sud bonheur qui s'étend et abondance. Il apportera avec lui une légion de neptunian blanchâtre qui formera un grand empire. Il sera reconnu en répandant de l'or noir dans les routes publiques et il dominera pour presque vingt hivers suivis un manquer et effrayé de gens, avec une main dans le sceptre et un pied dans l'étoile. Un jeune lion avec un emblème dans la poitrine, dans un champ de la bagarre dans un duel mémorable, les hoste surpasseront. Dans l'arène d'or, quand battrel'arrogance et l'avidité, les gens qu'il libérera.”

“E PRÓXIMO DO TERCEIRO MILÊNIO UM LEVIATÃ BRANCO EMERGIRÁ TRIUNFANTE SOBRE UM CONDADO AO SUL DO HEMISFÉRIO SUL, ESPALHANDO FELICIDADE E FARTURA. TRARÁ COM ELE UMA LEGIÃO DE NETUNOS BRANCACENTOS QUE ESTABELECERÃO UM GRANDE IMPÉRIO. SERÁ RECONHECIDO POR DERRAMAR OURO NEGRO NAS VIAS PÚBLICAS E DOMINARÁ POR QUASE VINTE INVERNOS SEGUIDOS UM POVO CARENTE E ASSOMBRADO, COM UMA MÃO NO CETRO E UM PÉ NA ESTRELA. UM LEÃO JOVEM COM UMA INSÍGNIA NO PEITO, NUM CAMPO DE LUTA EM UM DUELO MEMORÁVEL, A HOSTE SOBREPUJARÁ. NA ARENA DE OURO, AO DERROTAR A ARROGÂNCIA E A COBIÇA, O POVO LIBERTARÁ.”

6 de junho de 2011

TUDO PASSA

A chuva que vai caindo,
a mãe ao filho assistindo,
o sol esplendoroso no céu,
o mendigo vagando ao léu.

Passam as enxurradas,
as pestes e as namoradas,
passam as dinastias,
os impérios e as tiranias.

Não importa o divertimento,
o riso e o contentamento,
não importa o ressentimento,
a dor e o entristecimento.

Não importa se foi ateu,
muçulmano ou judeu,
não importa se foi erudito,
ignorante ou maldito.

Não importa o acreditar,
sem ter como confirmar,
não importa o duvidar,
sem saber aonde chegar.

Não importa o que foi dito,
muitas preces e vários ritos,
não importa o livre-arbítrio,
muitas crenças e vários mitos.

Tudo passa,
só não passa o que aqui ficou,
a verdade que professou,
a bondade que derramou,
a saudade que aqui deixou.

RELIGIÃO ENCOLHE O CÉREBRO

A pesquisa intitulada “Religious factors and hippocampal atrophy in late life” [Fatores religiosos e a atrofia do hipocampo na terceira idade], feita pelo Centro Médico da Universidade Duke (EUA) pode representar um importante avanço na compreensão da relação entre o cérebro e a religião. O estudo, publicado em março revela que pessoas que se identificam com determinados grupos religiosos apresentaram uma maior atrofia do hipocampo, algo comum em doenças como Alzheimer.

É um resultado surpreendente, considerando que muitos estudos anteriores mostraram que a religião tem efeitos benéficos sobre a função cerebral, em especial no que se relaciona com a ansiedade e a depressão. Muitos estudos sérios já avaliaram os efeitos de práticas religiosas como a meditação e a oração no cérebro humano.

Um número menor de estudos avaliou os efeitos da religião no cérebro a longo prazo. Esse tipo de está centrado nas diferenças do volume do cérebro ou da função cerebral nas pessoas fortemente envolvidas em práticas espirituais comparadas às que se definem como não religiosas. E um número ainda menor de estudos tem explora os efeitos das práticas de meditação ou outra atividade espiritual, avaliando indivíduos em dois momentos diferentes.

No estudo da Duke, publicado por Amy Owen, foi usada a ressonância magnética para medir o volume do hipocampo, parte do cérebro que está relacionado com a emoção e a formação da memória. Foram examinados 268 homens e mulheres, entre 58 e 84 anos. A ideia original era medir os resultados neurocognitivos da depressão em idosos, mas que também estava ligado às suas crenças religiosas. O estudo publicado pela professora Owen é o único que foca especificamente as pessoas religiosas em comparação com indivíduos não-religiosos. No artigo, mostra que existe uma diferença na estrutura cerebral das pessoas que se consideram cristãos “nascidos de novo” ou que tiveram alguma mudança de vida por causa da religião. Os resultados mostraram uma atrofia (encolhimento) significativamente maior entre os protestantes nascidos de novo e os católicos, em comparação com os protestantes nominais, que não se consideram “nascidos de novo”.

A hipótese levantada pelos estudiosos é que essa atrofia maior do hipocampo em determinados grupos religiosos podem estar relacionados com o estresse. Eles argumentam que alguns indivíduos da minoria religiosa, ou aqueles que lutam com suas crenças, registram níveis mais elevados de estresse. Isto provocaria uma liberação de hormônios ligados ao estresse que são conhecidos por diminuir o volume do hipocampo ao longo do tempo. Isto também poderia explicar porque os não-religiosos e algumas pessoas religiosas têm um hipocampo menor.

Existem estudos que mostram os efeitos negativos da religião e da espiritualidade na saúde mental. Há evidências que membros de grupos religiosos que são perseguidos ou que são minoria experimentam um maior estresse e uma ansiedade acentuada. Em alguns casos, uma pessoa pode entender que Deus a está punindo e, portanto, ter um aumento significativo de estresse causado por sua “luta religiosa”. Outros passam por conflitos internos por causa de idéias que contrariam sua tradição religiosa ou a de sua família. Um mudança radical no estilo de vida pode ser difícil para alguém incorporar ao seu sistema de crença religiosa vigente o que também pode gerar estresse e ansiedade. As transgressões religiosas (pecados) reconhecidamente podem causar angústia psicológica e emocional. Esta dor “religiosa” e “espiritual” pode ​​ser tão real quanto a dor física. E todos estes fenômenos podem ter efeitos potencialmente negativos sobre o cérebro.

Assim, Owen e seus colegas apresentam uma hipótese plausível, emb0ra reconheçam as limitações do seu estudo, como o tamanho pequeno da amostragem. Mais importante ainda, não conseguem determinar até onde os fatores que levam alguém a ter uma mudança de vida são importantes e não apenas a experiência em si. É possível também que as pessoas mais religiosas sofram de um estresse inerente, mas que sua religião as ajuda a se proteger.

Os autores do estudo advertem que não ainda há conhecimento suficiente e detalhado sobre a mecânica de como o estresse afeta a atrofia do cérebro. A religião é frequentemente citada como um mecanismo de enfrentamento importante para lidar com o estresse. Este novo estudo é intrigante e importante para esse campo de estudo, chamado neuroteologia, e pode colaborar para uma compreensão mais ampla de como a religião (ou a espiritualidade) gera mudanças no cérebro.

A DOENÇA CHAMADA HOMEM

Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem crimes como aquele que ocorreu recentemente no Rio.

Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de 1932 a S. Freud: ”Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição”? Freud respondeu realisticamente: ”Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte (Thanatos). E termina com uma frase resignada: ”esfaimados pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Será este o destino da espernaça?

Por que escrevo isso tudo? É em razão do tresloucado que no dia 5 abril numa escola de um bairro do Rio de Janeiro matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13-15 anos e deixou 12 feridos. Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição à venda de armas, de montar esquemas de segurança policial em cada escola e outras. Tudo isso tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão. A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta anti-realidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação. Freud bem sugeria: tudo o que faz surgir laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte.

O crime perpretado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde iria lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém. E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras: ”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu”(Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares.

Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violênca. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann em seu Atlas Social do Brasil nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de 5 mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detém 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade sem violência com estas relações injustas? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida.

O fato é que em pessoas pertubadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da destrutividade humana, 1975) foi o de Adolf Hittler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente ele se matou e todo os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte.

Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes. A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compeender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor do que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educacção e saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero e a luz onde dominar as trevas. A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata.

por Leonardo Boff

31 de maio de 2011

VOCÁBULOS RIO-GRANDINOS

·         aprochegar = aproximar-se, chegar perto;
·         atucanado = atrapalhado, cheio de problemas;
·         auto = automóvel;
·         baita = grande, crescido;
·         bauru de chouriço = sanduíche com chouriço;
·         brigadiano = policial militar;
·         buchicho = confusão, tumulto;
·         cacetinho = pão francês;
·         cancheiro = pessoa que tem experiência e/ou habilidade em alguma coisa;
·         carpim = meia de homem;
·         chapa = radiografia ou dentadura;
·         chofer de praça = motorista de táxi;
·         chuva guasqueada = chuva fustigante tocada a vento;
·         cisco = lixo;
·         corpinho = sutiã;
·         cupincha = camarada, companheiro, amigo;
·         dá de fazê = dá para fazer;
·         encucado = cismado, desconfiado;
·         entrevero = mistura, desordem, confusão de pessoas, briga;
·         escangalhado = quebrado, arrebentado;
·         fogão = amante;
·         frescura = sem importância, exagero sem fundamento;
·         gazear = faltar, matar aula;
·         grilado = desconfiado com alguma coisa;
·         imagina! = não tem porque;
·         joia = elogio (legal, beleza);
·         lancheria = lanchonete;
·         logo = mais tarde;
·         lomba = ladeira;
·         melena = cabelo;
·         minuano = vento gelado vindo do Pólo Sul;
·         mota = motocicleta;
·         mulhé = esposa, mulher;
·         pandorga = papagaio, pipa;
·         patente = vaso sanitário;
·         parelho = liso, homogêneo;
·         pechada = batida, trombada (entre automóveis);
·         perda de tempo = desperdiçar o tempo com algo improdutivo;
·         pisado = machucado;
·         pedro e paulo = dupla de policiais militares;
·         peleia = briga;
·         pila = moeda (10 pila, 25 pila - usa-se sempre no singular);
·         prende-lhe ficha! = vai em frente;
·         quebra-molas = lombada;
·         quentaque = verdadeiro, verídico;
·         queque = bolo pequeno;
·         rebojo = contracorrente de vento, retorno do vento;
·         sestear = dormir depois do almoço;
·         talagaço = golpe;
·         tá safo = está resolvido, em ordem;
·         trava = freio, breque;
·         trocinho = mulher nova;
·         tu vê só = entendes (tu vê só como são as coisas);
·         vento encanado = corrente de ar, ar encanado;
·         veranear = passar o verão;
·         visse = viste+escutaste+entendeste (visse o que o presidente falou?);
·         vivente = criatura viva, pessoa, indivíduo;


EXPRESSÕES
·         agüentar o tirão = sustentar uma opinião;
·         andar pelas caronas = andar mal, estar em dificuldade;
·         arrastar a asa = enamorar-se;
·         botar os cachorros = falar mal de alguém;
·         chorar as pitangas = lamuriar-se;
·         dar com os burros n'água = dar-se mal, ser mal sucedido;
·         deitar nas cordas = fazer corpo mole;
·         de orelha em pé = atento, de sobreaviso;
·         de rédeas no chão = entregue, submisso, apaixonado;
·         de varde = de balde, em vão;
·         de vereda = imediatamente, já;
·         é tiro dado e bugio deitado = acertar de primeira; ter certeza do que faz;
·         entregar as fichas = ceder, concordar;
·         estar com o diabo no corpo = estar furioso, insuportável;
·         frio de renguear cusco = frio tão intenso que deixa o cachorro mancando;
·         índio velho = camarada;
·         ir às favas = mandar longe;
·         ir aos pés = fazer as necessidades no vaso sanitário;
·         dar uma de joão sem braço = se fazer de desentendido, fingido;
·         juntar os trapos = casar, viver junto;
·         lamber a cria = mimar o filho;
·         largar de mão = desistir, abandonar;
·         matar cachorro a grito = estar sem dinheiro, na miséria, viver com dificuldade;
·         meter a viola no saco = calar-se, desistir, acovardar-se;
·         morar para fora = morar no campo (fazenda, sítio ou vila pequena);
·         na ponta dos cascos = (estar) em posição excelente, pronto para atuar;
·         no mato sem cachorro = em dificuldade, em apuros;
·         olhar de cobra choca = olhar dissimulado;
·         se aprochegar = chegar mais próximo, se acomodar;
·         sentar o braço = surrar, espancar, esbofetetar, bater;
·         terneiro guacho = tomador de leite;
·         tomar uma camaçada de pau = apanhar;
·         tomar uma tunda de laço = apanhar;


INTERJEIÇÕES
·         bah! = nossa!
·         capaz? = é mesmo?, imagina!
·         que tri! = que legal!
·         = não é?

17 de março de 2011

VELHICE

Agora no fim da vida,
é tempo de despedida,
viagem só de partida,
jornada não escolhida.

Aquele que tudo fez,
agora está tão sozinho,
caminha devagarinho,
a espera de um carinho.

Aquele ser paciente,
que esteve sempre presente,
agora é como um repelente,
enchendo o saco da gente.

Muitas vezes desprezados,
esquecidos e desamparados,
tratam-os com intolerância,
abandonando-os a distância,

Familiares com lealdade,
tratam-os com dignidade,
dando-lhes calor e amizade.


Velhice não é sofrimento,
é ternura e encantamento.
Também não é decadência,
é apenas uma circunstância.

É preciso dar-lhes atenção,
amor, carinho e proteção,
para que a culpa e a aflição,
não deixe sequelas no coração.

Aquele que a todos fez,
agora está tão cansado,
caminha desengonçado,
a espera de ser amado.

Aquele olhar marejado,
agora já está focado,
naquilo que foi buscado.

Naquele lugar tão sonhado,
semelhante ao Eldorado,
jamais será desprezado.

MILAGRE VERSUS FATALIDADE


Há uma tendência no ser humano em atribuir tudo aquilo que de bom acontece, sem uma explicação admissível a sua razão, a um milagre. E tudo que de mal acontece, a uma fatalidade.
Quando ocorrem “milagres”, atribuímos a Deus a sua autoria. Mas quando acontecem “fatalidades”, logo tratamos de tirar a culpa do Criador, atribuindo-as ao demônio, ao livre arbítrio ou ao carma, ou mesmo, ao acaso.
Entretanto, demônio, livre-arbítrio e carma, foram criados pelo próprio ser humano, para fechar algumas lacunas - de não conseguir explicar a existência do mal sobrepujando o bem com notável frequência, apesar de Deus ser um Pai onipotente e bondoso.
1.º Deus é imutável. Se Ele fizesse milagres, estaria mudando os seus desígnios, que são eternos.
2.º Deus é um ser absolutamente perfeito. Ora, o milagre parece ser um retoque ou um corretivo imposto à obra da sua criação.
Nosso cérebro foi formatado para encontrar sentido em tudo. Por exemplo, acertar na Mega-Sena é extremamente difícil. A chance é de 1 para mais de 50 milhões. Mas como sempre haverá ganhadores, nós atribuímos essa ocorrência a sorte. Mas, se os números sorteados forem 01, 02, 03, 04, 05 e 06, e o ganhador for uma pessoa carente, religiosa e necessitando de recursos financeiros imediatos, logo atribuiríamos isso a um milagre, apesar da chance de dar essa sequência ou outra, é a mesma.
Outro exemplo, se um passageiro chegar atrasado ao aeroporto, não conseguindo embarcar, e após, o avião cair matando todos os passageiros, atribuímos isso a um milagre. Não levamos em conta os dados estatísticos, tais como: a toda a hora pessoas chegam atrasadas ao aeroporto e não embarcam; a toda a hora pessoas antecipam voos; a toda a hora pessoas prorrogam voos, e uma série de combinações possíveis, com ou sem queda de avião. 
Existem fenômenos que ocorrem e nossa razão consegue elucidar. Então, as pessoas indolentes não se esforçam para esclarecer e preferem atribuir esse fenômeno a obra divina, e chegam a conclusão que é um “milagre” e pronto.
Um fato ou fenômeno para ser considerado milagre tem que ser de IMPOSSÍVEL ocorrência. Assim temos:
1) Num desastre aéreo: se um único passageiro se salvar. É impossível?
NÃO.
Então não é milagre (A probabilidade de um avião cair e só uma pessoa se salvar é de uma em 40 milhões. Desde 1970, 16 pessoas conseguiram esse feito).
2) Num desastre aéreo: se uma pessoa perder o voo (com ou sem intuição) e o avião cair. É impossível?
NÃO.
Então não é milagre (em todos os voos existem pessoas perdendo, adiantando ou prorrogando os voos).
3) Num desastre aéreo: se o avião a 12km de altitude se desintegrar totalmente e um passageiro sobreviver. É impossível?
Talvez SIM.
Então é milagre.
4) Num desastre aéreo: se uma pessoa queimar durante 2 horas, a uma temperatura de mais de 1.000 graus, sem proteção nenhuma, e sobreviver. É impossível?
Talvez SIM.
Então é milagre.
5) Numa doença terminal. Se uma pessoa sobreviver a um câncer “terminal” (com reza ou não). É impossível?
NÃO.
Então não é milagre (Diagnóstico mal feito; melhora temporária; cura natural; etc.).
Milagre é uma crença. Crenças são produtos do cérebro - explicações internas que criamos para satisfazer nossos anseios e aflições. São convicções sobre a realidade que adquirimos no decorrer da vida através das pessoas com as quais convivemos. Como somos seres acomodados e indolentes e não queremos ser responsáveis por nossos atos e destino, preferimos entregar tudo isso nas mão de um criador.
Outra alternativa é aceitar esses acontecimentos (milagres ou fatalidades), como obra do Acaso, ou das leis da Natureza, ou de algum outro causador ainda não identificado.

11 de janeiro de 2011

O FUTURO JÁ OCORREU

A passagem do tempo é uma ilusão. O futuro existe agora mesmo. E é tão imutável quanto o passado. É o que mostra a Teoria da Relatividade.
O problema é que nosso cérebro foi programado para encontrar sentido em qualquer coisa, inclusive para a existência. Aí criamos um monte de crenças, como: o Livre-arbítrio, o Destino, o Carma, a Astrologia, as Religiões. 
A Teoria da Relatividade mostra que todos os momentos da existência "acontecem" ao mesmo tempo. Para Einstein a distinção entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que persistente. Einstein explicou que o tempo não é uma coisa etérea, mas um lugar. Uma dimensão por onde a gente caminha sem parar. E que tempo e espaço são basicamente a mesma coisa. O casamento dos dois forma uma paisagem invisível: a do espaço-tempo. 
No mundo de verdade a gente viaja pelo tempo toda hora. Seu próprio corpo é uma máquina do tempo. É como se cruzássemos o tempo num trem invisível a exatamente 1,08 bilhão de km/h, a velocidade da luz. Quanto mais rápidos andarmos, mais lentamente o tempo começa a passar. Mais lentamente vamos envelhecendo. Mais rapidamente vamos viajando para o futuro.
Numa velocidade 1 bilhão de km/h, por exemplo, a velocidade faz o seu tempo dar uma bela freada (é como se a velocidade espaço, retirasse tudo o que fosse possível da velocidade tempo). Só o seu, note bem. O do resto do mundo continua correndo no ritmo de sempre. Você foi ultrapassado pelo tempo. Em outras palavras: viajou para o futuro.
Esse é o paradoxo: você e o resto do mundo estão vivendo o mesmo instante. Um momento que chamamos de "agora". Mesmo assim, o que para eles é futuro é uma coisa que já está gravada na sua memória. Faz parte do seu passado.
Einstein mostrou que distâncias muito grandes também acabam com a ideia de que exista um "agora" igual para todo mundo. E aí vem o ponto crucial. Se dá para dizer que o nosso futuro já aconteceu. Que poder a gente tem para escolher como vai ser o dia de amanhã? Onde vai parar nosso livre-arbítrio?
"Desaparece. O universo de Einstein, o da Teoria da Relatividade, não aceita a liberdade de escolha. O jeito como as nossas vidas se desdobram, do nascimento até a morte, está mesmo escrito. As escolhas que ainda vamos fazer já estão impressas no tecido da realidade. Tão impressas quanto as escolhas que a gente fez no passado" diz o filósofo especializado em física Oliver Pooley, do Centro de Filosofia da Ciência da Universidade Oxford, na Inglaterra.
Não podemos fazer nada pra mudar o destino. Ok. Mas se coisas como o rosto dos seus netos e o dia da sua morte estão "impressas" na natureza desde sempre, seria exagero pensar que, algum dia, a ciência poderia usar a matemática e a física para prever isso e tudo o mais? "Não teria como. Mesmo que cada evento do futuro seja baseado numa fórmula matemática já determinada, não daria para a gente saber quais fórmulas são essas antes que os próprios eventos acontecessem", considera o físico Gerardus Hooft, da Universidade de Utrecht e vencedor do Nobel de física de 1999.
TEMPO X ESPAÇO: É preto no branco: quanto mais rápido você correr, mais lentamente o tempo vai passar. Mas só pra você. Se desse para chegar à velocidade da luz, você pararia o tempo. E toda a história do Universo passaria por você num piscar de olhos! Já quando você está parado é o tempo que corre à velocidade da luz
VELOCIDADE DA LUZ: Nenhum objeto consegue ultrapassar a velocidade da luz, porque quanto mais um objeto é acelerado, mais massa ele ganha. E, antes de a velocidade de um corpo chegar a 1,08 bilhão de km/h (a velocidade da luz), ele já terá mais massa que o Universo inteiro. Isso acontece porque energia e massa estão intimamente ligadas. De acordo com a célebre fórmula do físico alemão Albert Einstein, E=MC2 (onde "E" representa a energia e "M", a massa), se a energia de alguma coisa aumenta, sua massa vai crescer também. O segredo é que, quando um objeto aumenta de velocidade, isso significa justamente que ele ganhou mais energia. Uma das consequências é que o peso também aumenta e torna-se cada vez mais difícil acelerar o corpo. Se algum objeto pudesse chegar à velocidade da luz, sua massa seria infinita. Nessa situação, seria necessária uma força igualmente infinita para acelerar nosso objeto - mas nem o Universo inteiro tem tanta energia. A luz, claro, só alcança sua estonteante velocidade porque não tem massa. Entretanto, para todos os outros objetos do mundo, a massa nunca deixará a rapidez superar esse valor. Quando você chega perto do 1,08 bilhão de km/h, acontece um absurdo lógico: o tempo passa tão lentamente para você que, quando seu relógio tiver marcado um segundo, o fim dos tempos já terá chegado. Quer dizer: não existe tempo disponível no Universo para que você chegue à velocidade da luz.
BEM-VINDO À MATRIX: Pensar que o futuro ainda não aconteceu é uma ilusão. Uma tão persistente quanto a ideia de que o Sol gira em volta da Terra. Tudo, do Big Bang ao fim do Universo, existe ao mesmo tempo. Este é o mundo de verdade.
FONTES:
O futuro já aconteceu (Alexandre Versignassi)
O destino está nas estrelas (José Francisco Botelho e Alexandre Versignassi)
Por que não dá para ir mais rápido que a velocidade da luz? (Rodrigo Rezende)

3 de janeiro de 2011

SAUDADE

Lembrança suave e distante,
de coisas ou pessoas ausentes.
É como uma canção antiga,
de uma harmonia sentida,
que acalentou nossa vida,
nos seguindo na partida.

De difícil tradução,
e não tão fácil explicação,
causa uma forte emoção,
pela distância e pelo desejo,
de quem há muito não vejo.

Boas lembranças,
é nostalgia,
a vivência em sintonia.

A sensação que sobrou,
daquilo que foi bem feito,
daquilo que era para ser dito,
daquilo que era para ser feito.

Ela surge de mansinho,
e guardada com carinho,
faz bem ao coração.

Recordação que conforta,
da lembrança da querença,
trazendo a paz da presença.

Más lembranças,
é remorso,
a existência em destroço,

A emoção que faltou,
daquilo que foi mal feito,
daquilo que deixou de ser dito,
daquilo que deixou de ser feito.

Ele surge atrevido,
e não sendo consumido,
faz mal na solidão.

Recordação que atormenta,
da lembrança da carência,
causando dor da ausência.

É nostalgia,
dos tempos de meninice,
dos folguedos e traquinices,
dos tempos de estouvice,
das fuzarcas e fanfarrices,
dos tempos de caduquice,
daqueles disse-me-disse.

É gratidão,
por aqueles que partiram,
pelo tempo que luziram,
pelo brilho que emitiram,
pelo tempo que sorriram,
pelo afeto que repartiram,
pelo bem ao qual serviram,
pela seiva que produziram,
pela vida que esculpiram.

É dádiva,
daquele que com carinho sente,
com espera sempre presente,
de um encontro transcendente,
com aquele que seguiu em frente.

No final,
tudo é filosofia,
a esperança em poesia,
encobrindo a essência fria.

Afinal,
a vida não é só alegria,
tem lembrança que judia,
tem tristeza e agonia,
tem meiguice e cortesia,
tem a fé que contagia.