14 de julho de 2026

O ESPÍRITO DO TEMPO

O mal não chega gritando,
Nem vem de espada na mão;
Chega manso, insinuando-se,
E adormece a razão.

Rouba o tempo em ninharias,
Em distrações sem valor;
Dissolve sonhos em dias
Sem propósito ou ardor.
Sem propósito ou ardor.

Muitos temem ser distintos,
Ousar além da multidão;
Escondem dons e instintos
Na busca por aceitação.

Assim surge o nivelamento,
Disfarçado de igualdade;
Corta o brilho e o talento,
Cultuando a mediocridade.

Na escola, o saber recua,
Empalidece a reflexão;
A ignorância continua
Recebendo aprovação.

O novo circo é digital,
Feito de tela e ilusão;
Muito ruído superficial,
Pouca luz no coração.

Eis o espírito do tempo,
Com seu doce entorpecer,
Que conduz, em passos lentos,
O rebanho ao não-ser.

JC COUTINHO

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