23 de março de 2026

O LARGO DA IGREJA




É lamentável, mas há males que vêm para o bem. Pelo que se observa, os comerciantes já estão se realocando, e provavelmente terão grande sucesso em seus novos destinos. É a vida que segue.

Na minha visão, o Cassino hoje se resume a um balneário de uma rua só, concentrado quase exclusivamente no entorno da Igreja. Enquanto isso, as demais vias parecem abandonadas (ao turismo), carecendo de comércio e eventos que atraiam o público.

Precisamos incentivar a migração e a expansão dos comerciantes para além do largo da Igreja, criando novos polos com infraestrutura de quiosques.

A Avenida Atlântica, por exemplo, é subutilizada e tem um potencial imenso. O mesmo vale para o calçadão da Beira-Mar: um espaço pavimentado e iluminado que, ironicamente, não recebe '‘uma viva alma’' no inverno quanto no verão por falta de atrativos. Com a implantação de quiosques e serviços, aquela área poderia ser revitalizada e atrair o público.

Quanto às intervenções no Largo da Igreja: Agora é possível visualizar a lateral da edificação. Do ponto de vista urbanístico e religioso, não é ideal que existam comércios adjacentes. Para alcançarmos um padrão de excelência similar ao de outras belas igrejas de cidades turísticas, precisamos superar essa questão.

A ausência de comércios anexos (colados às paredes da estrutura) cria o que arquitetos chamam de “vazio qualificado”. Sem placas, vitrines ou movimento de carga e descarga, a volumetria e os detalhes dos arquitetônicos (como vitrais, arcos, pedras) tornam-se os protagonistas.

O silêncio visual contribui para o propósito da edificação, separando o “sagrado” do “profano” (o comércio cotidiano). Isso permite que a igreja seja fotografada de qualquer ângulo sem poluição visual.

O nível de excelência turística e religiosa de uma cidade está diretamente ligado à capacidade de preservar seus cartões-postais de interferências mundanas.

JC COUTINHO

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