24 de fevereiro de 2026

MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

A medicina é uma prática fundamentada na ciência (biologia, química, física, etc.), mas não é uma ciência pura em si. A ciência busca o conhecimento puro e as leis universais, o foco é o fenômeno. Já a medicina busca a cura ou o alívio, baseada em evidências, que é seu objetivo prático.

A MBE (Medicina Baseada em Evidências) é o “vínculo” que une a ciência à prática clínica. Ela garante que as decisões do médico não sejam baseadas apenas em intuição ou no “eu sempre fiz assim”, mas em dados estatísticos sólidos vindos de estudos científicos (ensaios clínicos, metanálises, etc.).

O Dr. Victor Sorrentino afirma que a prática clínica atual é uma medicina baseada em baixas evidências, pois valida apenas estudos “padrão ouro” financiados pela indústria. Ele argumenta que a medicina não é ciência, mas sim uma arte que aplica conhecimentos científicos, muitas vezes limitados pelo que é patenteável e lucrativo. Como vitaminas e hábitos naturais não geram patentes, a indústria não investe nos estudos caros exigidos pelo sistema. Assim, descarta-se o que funciona por simples falta de interesse financeiro, confundindo ausência de prova com ausência de eficácia.

Sobre Evidências: “Nós temos hoje uma dita Medicina Baseada em Evidências. Só que, infelizmente, é uma medicina baseada em evidências, na grande maioria das vezes, ela é uma medicina baseada em baixas evidências. Por quê? Porque o nível de evidência que se cobra para que algo possa ser realizado é um nível de evidência que exige muito dinheiro. Para você fazer um trabalho padrão ouro, que é um trabalho duplo cego, randomizado, placebo controlado e multicêntrico, você precisa de milhões de dólares. E quem é que tem milhões de dólares para investir em um trabalho científico? A indústria.”

Sobre Conflito de Interesses: “A indústria farmacêutica não vai investir em algo que não seja passível de patente. Ela não vai investir em uma vitamina, ela não vai investir em um mineral, ela não vai investir em uma mudança de estilo de vida ou em uma planta que não pode ser patenteada. Por quê? Porque ela é uma empresa, ela visa o lucro e precisa de retorno para os seus acionistas. Isso é o capitalismo, e não há crime nisso. O problema é quando a medicina passa a ignorar tudo aquilo que não tem esse nível de evidência '‘padrão ouro’', tratando como se não existisse ou como se fosse '‘charlatanismo’'.”

Medicina Além do Ouro: “Existem milhares de estudos epidemiológicos, estudos observacionais, estudos de coorte, estudos in vitro e em animais que mostram benefícios absurdos de diversas substâncias naturais e mudanças de hábito. Mas, como não são '‘duplo cego randomizados’', muitos médicos dizem: '‘não há evidência científica’'. Na verdade, existe evidência, o que não existe é o interesse financeiro em transformar essa evidência em um protocolo padrão de tratamento.”

“Precisamos entender que a ausência de prova não é prova de ausência. Só porque não houve um investimento de 50 milhões de dólares para provar algo, não significa que aquilo não funcione ou que não tenha embasamento fisiológico e bioquímico para ser utilizado em benefício do paciente.”

Para ilustrar como essa visão se aplica na prática, vamos usar o exemplo clássico da Vitamina D e dos Fitoterápicos (plantas medicinais). Eles são os alvos principais da crítica de que a “medicina baseada em evidências” é, na verdade, baseada em interesses financeiros.

1) O Caso da Vitamina D e Nutrientes: A ciência básica (bioquímica) prova que a Vitamina D atua em mais de 2.000 genes. No entanto, por ser uma substância natural que não pode ser patenteada, nenhuma farmacêutica investirá 100 milhões de dólares para fazer um estudo “padrão ouro” para tratar uma doença específica com ela.

O resultado: Muitos conselhos médicos dizem que “não há evidências fortes” para doses maiores, ignorando a fisiologia óbvia em favor da ausência de um papel carimbado pela indústria.

2) Fitoterápicos vs. Fármacos Isolados: A indústria prefere isolar um princípio ativo de uma planta, alterá-lo levemente em laboratório para torná-lo único e, então, patenteá-lo.

O abismo: O chá ou o extrato da planta inteira pode ter efeitos colaterais menores e benefícios combinados, mas como a planta “é de todo mundo”, ela é rotulada como “medicina alternativa” ou “sem comprovação”, enquanto a pílula patenteada vira o “tratamento oficial”.

O MÉDICO COMO “INTÉRPRETE”: O bom médico não é aquele que segue a ciência como um dogma (isso seria “cientificismo”), mas aquele que atua como um tradutor:

Ele olha o que a ciência demonstrou ser mais eficaz para a maioria.

Ele olha para o paciente e entende suas particularidades.

Ele usa sua experiência não para negar a evidência, mas para ajustá-la.

JC COUTINHO

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