Segundo
estudos estatísticos, o PT (Partido dos Trabalhadores), enquanto
representado por seu líder, Luiz Inácio Lula da Silva, possui cerca
de 24% da preferência partidária no Brasil. Os eleitores do PT são
descritos frequentemente como “cativos”, demonstrando alto índice
de fidelidade e comparecendo às urnas mesmo quando o voto é
facultativo, como no caso de idosos acima de 70 anos e jovens entre
16 e 18 anos. Essa disposição revela não apenas simpatia política,
mas identificação orgânica com o projeto ideológico representado
pelo partido.
Em um sistema eleitoral como o brasileiro, marcado pelo multipartidarismo e por elevada fragmentação partidária, essa coesão se torna um ativo estratégico de enorme relevância. Nas eleições majoritárias sem segundo turno (apenas cidades com mais de 200 mil eleitores realizam segundo turno para prefeito) — realidade predominante na maioria dos municípios brasileiros — vence quem obtiver a maior votação, ainda que sem maioria absoluta. Nesse contexto, um bloco com 20% a 30% de votos firmes pode se tornar praticamente imbatível quando os demais concorrentes se pulverizam.
Como o PT, junto aos partidos de esquerda (PSOL, PCdoB, PSB, PDT, PV, PCO etc.), tende a formar blocos de unidade em torno de um único candidato, enquanto os partidos de centro e direita se dividem ao lançarem múltiplas candidaturas, fica nítido que esse percentual fiel acaba sendo o fator decisivo no pleito.
Essa dispersão fragmenta o eleitorado que, somado, poderia superar o bloco adversário, mas que, dividido, acaba neutralizando sua própria força. A matemática eleitoral é implacável: três candidatos com 18% cada podem ser derrotados por um candidato com 24%. O voto disperso dilui potencial competitivo e favorece quem possui base consolidada.
A solução estratégica para esse grupo seria os partidos de direita e centro-direita estabelecerem um consenso e apresentarem um único candidato para prefeito e pouquíssimos candidatos para deputado e um ou dois candidatos para senador. Essa unificação permitiria concentrar o capital político e equilibrar a disputa contra o bloco de esquerda que já consolidado.
Tal estratégia exigiria maturidade institucional, renúncia de ambições individuais e capacidade de coordenação nacional e regional. Implicaria, sobretudo, compreender que eleições não são apenas disputas ideológicas, mas também jogos de engenharia política, onde coesão muitas vezes vale mais que volume disperso. Blocos organizados tendem a superar campos fragmentados. Coesão gera densidade eleitoral; fragmentação produz vulnerabilidade.
Em síntese, a disputa política contemporânea no Brasil não se decide apenas no campo das ideias, mas também na capacidade estratégica de articulação. Quem compreende a matemática da unidade amplia suas chances. Quem ignora a aritmética eleitoral corre o risco de ser derrotado antes mesmo da contagem final dos votos.
Na política, como na física, sistemas coesos possuem maior densidade. E aquilo que é mais denso tende a exercer maior gravidade. Talvez a pergunta decisiva não seja quem tem mais eleitores, mas quem tem mais unidade.
JC COUTINHO
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