9 de abril de 2026

UM GIGANTE ADORMECIDO


1. CENÁRIO DA CIDADE: O cenário na cidade de Rio Grande é desolador. Quem percorre suas ruas percebe de imediato os sinais do abandono: patrimônios históricos esquecidos, edificações deterioradas e um descaso alarmante, como se não houvesse compromisso algum com sua história, seu povo e seu futuro. Somam-se a isso a falta de saneamento básico, as drogas e a violência urbana. O silêncio da negligência se impõe, mas a paisagem clama por socorro.

Não há investimento no setor imobiliário. Os imóveis, no Centro, são caros e estão nas mãos de poucos, que não têm interesse em novas construções. Viviam da especulação imobiliária. Com a estagnação da cidade, ficaram abandonados, sem ninguém para comprar ou alugar.

Circular à noite pelo Centro da cidade tornou-se um ato de coragem – e poucos se arriscam. O local, hoje, é ermo, desolado e sem qualquer atrativo que motive as pessoas a frequentá-lo. Nem mesmo as vitrines das lojas permanecem iluminadas ou abertas, tornando o ambiente ainda mais triste e vazio.

A Rodoviária, a porta de entrada de qualquer cidade turística, está deteriorada, mal localizada, sem qualquer atrativo. À noite, também é um caos.
A sensação é de que ninguém se importa – de que o poder público virou as costas para a cidade e a deixou definhar à própria sorte.

2. ANOS DOURADOS: Rio Grande é uma cidade com um peso histórico monumental, sendo a cidade mais antiga do Rio Grande do Sul. Por sua posição estratégica entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, ela acumulou diversos títulos de "primeira" e "pioneira" que ajudaram a moldar o estado.

A cidade, que já viveu os seus anos dourados – os idos tempos de outrora –, hoje está quebrada, falida, sucateada. Lojas fechando, shoppings sobrevivendo, comércio arruinado, centro abandonado. Até quando vamos assistir, impotentes, a esse desmantelamento?

O que ainda sustenta essa bancarrota são as obras da natureza e as conquistas de gerações passadas: a Praia do Cassino, o porto marítimo, a universidade, os servidores e os serviços públicos. Sem esses pilares, Rio Grande já teria deixado de existir. Nosso comércio sobrevive com farmácias, supermercados, lancherias e revendas de automóveis.

Mesmo com um dos maiores PIBs e uma das maiores arrecadações do Estado – fruto de tributos federais e estaduais –, não conseguimos competir com a maioria das cidades da Serra Gaúcha e da Metade Norte. Em cada uma delas, é possível ver a pujança refletida no turismo, no comércio, na saúde, nas ruas calçadas ou asfaltadas e em grandes obras de infraestrutura, como túneis, trevos e viadutos."

Se não houver uma mudança urgente, corremos o risco de perder não apenas a estrutura da cidade, mas também a esperança de um futuro melhor.

3. TURISMO: O turismo em Rio Grande ainda está engatinhando. Depende mais das obras que a natureza esculpiu do que de investimentos em infraestrutura, capazes de amparar e impulsionar a atividade turística. Apesar disso, nos últimos anos, observam-se algumas pequenas melhorias.

Aqui, temos a orla da Rua Francisco Campelo e o Rincão da Cebola, verdadeiros potenciais adormecidos, '‘caindo de maduro’' para se transformarem em um “mini Cais Embarcadero”, nos moldes de Porto Alegre, com atrações, gastronomia e espaços de lazer.

O Mercado Público de Rio Grande deu uma pequena melhorada nos últimos anos. Mas falta muito para torná-lo uma atração turística, gastronômica e comercial. Faltam reformas nos pisos, nos banheiros, melhorias na higiênica, pintura, etc. É preciso torná-lo uma atração prazerosa de visitar e desfrutar. Falta uma reforma radical. Está no coração da cidade e poderia ser mais um ponto turístico de Rio Grande.

As ilhas de Rio Grande são verdadeiros tesouros adormecidos, guardando um potencial turístico ainda inexplorado. Com a revitalização das vias de acesso e uma sinalização eficiente, podemos transformar essa paisagem. Imagine o impacto de infraestruturas que valorizem nossa essência, como espaços para o artesanato local, gastronomia típica e cafés aconchegantes. É hora de despertar esse gigante e oferecer aos visitantes uma experiência autêntica em meio às nossas águas.

4. FUTURO DA CIDADE: O que mais impressiona é a omissão das chamadas “autoridades”. Onde estão aqueles que deveriam zelar pelo bem-estar da população? Até quando vamos assistir, impotentes, a esse desmantelamento?

E o futuro? O que restará para as próximas gerações? Que legado deixaremos se continuarmos a permitir que Rio Grande afunde nesse estado de abandono? Chegou a hora de exigir respostas, de cobrar ações concretas e de não aceitar mais desculpas vazias. Se não houver uma mudança urgente, corremos o risco de perder não apenas a estrutura da cidade, mas também a esperança de um amanhã melhor.

5. O DESPERTAR DE UMA NOVA CIDADE: Muitas vezes, ouvimos que os problemas de uma cidade são insolúveis ou que a “conjuntura” impede a mudança. Mas a verdade é que soluções definitivas não nascem do acaso; elas esperam pelo Prefeito Visionário. Um Prefeito que coloque o interesse coletivo acima do interesse político individual. Aquele que entende que administrar não é apenas apagar incêndios, mas sim projetar o futuro com coragem e responsabilidade. Tudo o que se fizer sem levar em consideração essas premissas, com soluções imediatas e paliativas, na base do “quebra-galho”, estará fadado ao insucesso.

5.1. RESPONSABILIDADE COM O DINHEIRO PÚBLICO: O primeiro passo para reconstruir uma cidade é arrumar a própria casa. Não há espaço para o desperdício enquanto faltam recursos na ponta para o cidadão.

Corte de CCs e Cabides de Emprego: Redução drástica de cargos em comissão e funções gratificadas utilizadas para fins políticos. A meritocracia e o corpo técnico devem prevalecer sobre o apadrinhamento.

Fim dos Gastos Politiqueiros: Substituição de obras de “fachada” e eventos sem retorno social por investimentos estruturantes que gerem valor a longo prazo.

Eficiência Operacional: Redução de burocracia e economia de recursos que serão reinvestidos onde realmente importa.

5.2. O RESGATE DA NOSSA IDENTIDADE – CENTRO HISTÓRICO: Um povo sem memória é um povo sem destino. Restaurar o Centro Histórico não é apenas uma obra de estética, é um resgate da dignidade urbana e um motor econômico potente.

Revitalização Urbana: Iluminação moderna, segurança integrada e restauração de fachadas para devolver o centro às famílias.

Cultura Viva: Incentivo para que o comércio, cafés e espaços culturais ocupem os prédios históricos, transformando o que antes era abandono em um ponto de encontro vibrante.

5.3. TURISMO E EMPREGO – O CICLO DA PROSPERIDADE: A visão de futuro transforma potencial em realidade. O turismo é a “indústria sem chaminé” que gera emprego rápido e renda local.

Marketing Profissional: Colocar a nossa cidade no mapa do turismo nacional e internacional, destacando nossas belezas e nossa história.

Atração de Investimentos: Criar um ambiente de negócios favorável, com menos taxas para quem quer empreender e mais incentivo para quem gera empregos.

Capacitação Local: Preparar a nossa mão de obra para que as oportunidades criadas pelo turismo e pelas novas empresas fiquem com a nossa gente.

6. O GESTOR COMUM GOVERNA PARA A PRÓXIMA ELEIÇÃO. O PREFEITO VISIONÁRIO GOVERNA PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO. Esta é a transição do gasto para o investimento. É a troca do favor político pelo direito do cidadão. Com coragem para cortar o que é desnecessário e visão para construir o que é essencial, transformaremos nossa cidade em um modelo de desenvolvimento, orgulho e prosperidade.

A meta é clara: sair do ciclo do gasto eleitoreiro para entrar na era do investimento transformador. Continuo à espera do(a) prefeito(a) visionário(a) que, um dia, virá. Assim está escrito. Assim será.

JC COUTINHO

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